Memória Viva

CONCEITO

O desafio de integrar o tema da Casa Cor 2018, “Casa Viva”, ao ambiente “Banheiro Público” reside em transformar o conceito de um local cujo uso normalmente é atrelado à mera funcionalidade e à imagem e auto-cuidado das pessoas que o utilizam, em algo que desperte sentimentos, memórias e sensações.

Para nos conectarmos ao lar e aos seus ambientes temos que nos identificar com os seus elementos, desde os mais simples até os mais notórios, e eles devem nos proporcionar impressões do passado, projeções do futuro e estimular a nossa criatividade, que é a mola mestra do desenvolvimento humano.

Por isso, o banheiro de uma “Casa Viva” deve estar permeado de componentes essencialmente vivos, que nos conectem à natureza, como as plantas, o verde; de materiais naturais, cuja aparência, toque e aroma, nos tragam a sensação de aconchego, saúde e bem-estar; e de peças e objetos que nos remetam a belas memórias e à ternura; tudo isso sem perder de vista o importante conceito de sustentabilidade.

FUNDAMENTO

A inspiração estética primária para o ambiente “Banheiro Público” partiu da obra “Plateaus”, de Rashid Johnson, que esteve em exposição na Fondation Louis Vuitton, em Paris. Na obra, dentre diversos e importante elementos abordados, há um grande destaque para a capacidade de adaptação das plantas ao ambiente, assim como os seres humanos o fazem, e aos objetos como instrumentos da memória e da representação da história.

A partir desta inspiração inicial veio a ideia da criação de um espaço que cumpra o propósito da funcionalidade, ao mesmo tempo em que, de maneira natural, proporcione ao visitante uma experiência diferenciada, lúdica, com o objetivo de causar impressões e que faça com ele se sinta integrado ao tema proposto pela exposição.

O espaço é protagonizado por uma ilha central composta por módulos cúbicos e vazados de metal revestido por melamínico amadeirado, onde se encaixam as torneiras curvas e cubas cilíndricas, ambas de piso, que, unidas aos demais elementos: plantas, iluminação pontual e objetos com valor histórico, pareçam todos fazer parte de uma única estrutura, como um organismo dotado de vida, complexidade e memórias.

Os módulos cúbicos foram projetados como um natural e intuitivo direcionador de fluxo, e para que suas posições possam ser alteradas ou otimizadas conforme a estética desejada ou o curso de pessoas, sob a perspectiva de que uma “Casa Viva” e dinâmica tenha que se adaptar às necessidades de seus moradores e usufrutuários.

A disposição dos espelhos, com iluminação frontal, em um nicho específico, e não defronte às cubas, tem a proposital intenção de desviar o foco dos usuários de seus próprios reflexos para os elementos que compõem o ambiente, estimulando a percepção e criando uma conexão com ele.

Os balanços de teto estão estrategicamente dispostos para servirem como instrumentos de repouso, espera e contemplação dos elementos naturais, dos objetos de valor lúdico e histórico e dos quadros dispostos nas superfícies do ambiente.

Para prestigiar o tema “Casa Viva”, nada mais coerente que empregar as plantas, seres dotados de extrema beleza e adaptabilidade, tanto na ilha central como nas demais áreas do ambiente, de forma a torná-lo mais exuberante, vivaz e acolhedor.

Por fim, cabe ressaltar a importância dada ao conceito de sustentabilidade na concepção da vertente central do projeto, com o uso de objetos e estruturas móveis e readaptáveis, que possam ter uma nova destinação ao fim da mostra, sem a necessidade de gerar grandes obras ou lixo desnecessário. Além disso, os objetos antigos e de valor histórico, que, muitas vezes são descartados ou desprezados pelo público em geral, são aqui reaproveitados e dispostos para causar uma nova e distinta impressão.